Com tema “Orçamento público e necessidade de auditoria da Dívida Pública para garantir recursos para as áreas sociais”, a palestra da coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, Dra. Maria Lúcia Fattorelli, marcou o primeiro de paralisação dos professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), nesta quinta-feira (17). A palestrante volta a se encontrar com a comunidade acadêmica nesta sexta-feira (18), a partir das 9h, no auditório da Faculdade de Estudos Sociais (FES), no Campus Universitário.
Durante o debate desta quinta, a especialista ressaltou a necessidade de realizar uma auditoria para investigar os recursos destinados ao pagamento da Dívida Pública, que no ano passado “abocanhou” 45% do orçamento nacional em 2011, enquanto para a Educação o percentual foi de 2,99% e para Ciência e Tecnologia, 0,32%. Os docentes federais reivindicam a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para a Educação. A dívida pública nacional é, hoje, de R$ 3,2 trilhões.
“Quando apresentamos nossas reivindicações, a resposta do governo é uma só: ‘não podemos atender por restrição orçamentária’, mas ao analisarmos a distribuição do dinheiro público, percebemos que a maior parte desses recursos é destinada para o pagamento de dívida pública”, disse o presidente da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), professor Antônio Neto.
Segundo ele, a palestra de Fattorelli garante mais recursos para potencializar a luta e ampliar a capacidade de intervenção da categoria. O encontro ocorreu no auditório Dr. Zerbini da Faculdade de Medicina. “Esse local carrega uma simbologia muito forte, pois é a antiga sede da nossa associação, onde ocorreram muitas lutas que definiram o rumo da universidade”, disse.
Na ocasião, Maria Lúcia Fattorelli falou também sobre as causas e desdobramentos da crise internacional. “Essa crise era dos bancos europeus, foi transferida para a população da Europa, e acabou atingindo o mundo inteiro”, explicou a coordenadora.
Segundo a especialista, essa crise do mercado financeiro, que acabou sendo “empurrada” para União Europeia e para o restante do mundo, é responsável pela onda de suicídios, desemprego, cortes na aposentadoria e, inclusive, pelo desmerecimento de carreiras de funcionários federais como os professores universitários.
“Muita gente acha que a dívida pública foi aniquilada com o pagamento ao FMI (Fundo Monetário Internacional), em 2005, no governo Lula, mas isso não é verdade”, disse. Apesar de ser a 6ª economia mundial, o Brasil é o terceiro pior em distribuição de renda e o 84º no ranking de respeito aos Direitos Humanos (IDH).
A palestra acontecerá novamente no dia 18.05 (sexta-feira), às 9h, no Auditório da FES.
FONTE: ADUA
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Segundo a ADUA, docentes de quatro das cinco unidades acadêmicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), localizadas no interior do Estado, aderiam à greve nacional dos professores federais, que teve início nesta quinta-feira (17). O movimento paredista se estendeu aos municípios de Itacoatiara, Humaitá, Parintins e Benjamin Constant, onde, por meio de assembleias locais, os professores votaram em favor da paralisação das atividades, por tempo indeterminado. Em Coari, a Assembleia será realizada nesta sexta-feira (18).
Em Manaus, mais de 70% das aulas foram paralisadas, de acordo com um levantamento feito pelo Comando de Greve Local (CGL), formado por aproximadamente 30 professores, representantes da maioria das unidades acadêmicas da capital. “A expectativa é que esse percentual aumente à medida que as ações de mobilização forem se intensificando”, disse o presidente da Adua, que apresentou o calendário de atividades do movimento, durante entrevista coletiva na manhã desta quinta. “A natureza da paralisação é de ocupação e não de esvaziamento”, reforçou.